Paga boleto ou Pix? Split payment começa opcional em 2027 e não muda a tela da pessoa física
Neste artigo
O que foi informado agoraComo a conta funcionaO que muda para quem é pessoa físicaO que muda para empresasA crítica ao mecanismoComo fica o calendárioPerguntas frequentesFontesO que foi informado agora
A Radioagência Nacional publicou em 5 de novembro que o split payment será adotado de forma facultativa em 2027 e passará a ser obrigatório a partir de 2033, regra que a reportagem liga ao setor varejista.
O mecanismo faz parte da reforma tributária. Ele separa o imposto da compra no momento do pagamento, em vez de deixar o recolhimento para depois.
Como a conta funciona
A Agência Brasil deu este exemplo em abril: numa compra de R$ 100 com R$ 20 de tributos, o cliente paga os mesmos R$ 100. Desse total, R$ 80 vão para a empresa e R$ 20 seguem para o governo.
E o imposto muda por causa disso? O professor de contabilidade Denilson Costa, ouvido pela Radioagência, afirmou: "Ele não vai mudar o valor a ser pago do imposto."
O que muda para quem é pessoa física
Quase nada na primeira fase, segundo o Manual de Operações da Receita Federal e do Comitê Gestor do IBS, versão de setembro de 2026.
O documento diz que não há novos campos, telas de confirmação ou alterações em comprovantes para pessoa física. Na prática, são dois cenários:
- Pix estático (por chave, dados manuais ou QR estático), TED e TEF, iniciados por quem paga: a pessoa física não consegue fazer a transação com split.
- Boleto, Pix dinâmico e Pix Automático, criados por quem recebe: a pessoa física pode executar o pagamento de uma cobrança emitida com split contra uma empresa, mas não vê os campos de CBS, IBS e documento fiscal.
Transferência entre pessoas físicas continua fora do mecanismo. A Agência Brasil informou em abril que o split não é taxação do Pix.
O que muda para empresas
A primeira fase recebe o nome de "B2B Opcional". As regras principais do manual são estas:
- vale para operações entre empresas com CNPJ regular;
- o uso é facultativo para quem origina a transação: sem os campos de CBS e IBS preenchidos, o pagamento segue normalmente, sem split;
- seis formas de pagamento participam: boleto, Pix dinâmico, Pix Automático, Pix estático, TED e TEF;
- cartões, benefícios e vouchers, Pix iniciado por Open Finance e criptomoedas ficam de fora;
- a adaptação é obrigatória para os bancos e demais prestadores de serviço de pagamento que participam dessas formas de pagamento.
E se houver imposto recolhido a mais? Em hipóteses específicas, diz o manual, a Receita e o Comitê Gestor poderão transferir o excesso ao fornecedor, quando aplicável em até três dias úteis, conforme regras próprias.
A crítica ao mecanismo
O mecanismo vem sendo questionado porque pode reduzir o fôlego de caixa dos negócios, segundo reportagem da Radioagência de 14 de outubro, que não identifica os críticos.
O secretário da Receita, Robinson Barreirinhas, defendeu o mecanismo em outubro como ferramenta contra fraudes.
Como fica o calendário
As fontes não trazem a data exata de início em 2027. O plano de implantação é um documento separado do manual, que não foi consultado nesta reportagem.
Para quem acompanha a reforma, a alíquota ainda depende de outra etapa: a CBS de 11,3 por cento precisa de decisão do Senado até 15/12. Quem tem pequeno negócio pode ver também o prazo para cancelar a opção do Simples para 2027.
Perguntas frequentes
O que é split payment?
É a separação automática da CBS e do IBS no momento em que o pagamento é liquidado. Uma parte vai para o vendedor e outra segue para o governo.
O split payment é uma taxa sobre o Pix?
Não. A Agência Brasil informou em abril de 2026 que o sistema não incide sobre transferências entre pessoas físicas e não é taxação do Pix.
A compra fica mais cara por causa do split?
O mecanismo muda a forma de recolher, não a alíquota. O professor de contabilidade Denilson Costa, ouvido pela Radioagência Nacional, diz que ele não altera o valor do imposto a pagar.
Cartão de crédito entra em 2027?
Não na primeira fase. O manual deixa fora cartões de crédito, débito e pré-pago, benefícios e vouchers.
A empresa é obrigada a usar em 2027?
Pelo manual, o uso é facultativo para quem origina a transação. Sem os campos de CBS e IBS preenchidos, o pagamento segue sem split. Os bancos e demais prestadores, porém, precisam se adaptar.
Fontes
- Receita Federal e CGIBS - Split Payment, Manual de Operações, versão 1.0.1 (setembro de 2026)
- Radioagência Nacional - Impostos: split payment será adotado de forma facultativa em 2027 (05/11/2026)
- Agência Brasil - Reforma tributária: governo regulamenta cobrança da CBS e do IBS (30/04/2026)
- Radioagência Nacional - Reforma tributária: split payment combate fraudes, diz Receita Federal (14/10/2026)
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