Ônibus grátis no fim de semana: governo calcula R$ 12 bi por ano, e empresas falam em R$ 17 bi
Neste artigo
O que está em jogoAs contas para o mesmo programaComo o dinheiro seria reservadoO que muda para o passageiro agoraSua cidade já tem algo parecido?Cada cidade terá a sua contaPerguntas frequentesFontesO que está em jogo
O governo federal enviou ao Congresso, em 21 de outubro de 2026, uma proposta de emenda à Constituição para tornar gratuito o transporte coletivo urbano aos sábados, domingos e feriados.
A conta voltou ao debate nesta semana. Texto publicado em 7 de novembro pelo Brasil 247, com base em reportagem da Folha de S.Paulo, reúne as estimativas de governo, empresas e economistas. Os números não coincidem.
As contas para o mesmo programa
| Quem calcula | Alcance | Custo por ano |
|---|---|---|
| Ministério das Cidades e Ipea | Estudo com 100 municípios | Cerca de R$ 11 bilhões |
| Governo, pela PEC | Reserva nas emendas | Cerca de R$ 12 bilhões |
| XP (Tiago Sbardelotto) | Estimativa preliminar, todos os modais | Cerca de R$ 16 bilhões |
| NTU | Só ônibus | Cerca de R$ 17 bilhões |
| NTU | Com trens e metrôs | R$ 20,8 bilhões |
Marcos Bicalho, da NTU, diz que os valores são aproximados porque não há base nacional consolidada. Ele chama os R$ 12 bilhões de "um primeiro passo".
O economista da XP avalia que os R$ 12 bilhões podem bastar para os ônibus, mas vê risco de o Tesouro ter de complementar os recursos. João Pedro Leme, da Tendências, considera que a verba pode ser suficiente, porque algumas cidades já oferecem gratuidade em parte desses dias. Giancarlo Moreira Gama, do Ministério das Cidades, afirma que o valor será suficiente para os ônibus.
Como o dinheiro seria reservado
A proposta usa ao menos 26,8 por cento das emendas parlamentares obrigatórias. Com R$ 44,8 bilhões previstos em emendas para 2027, chega-se a cerca de R$ 12 bilhões. O governo argumenta que a despesa primária não cresce, porque o dinheiro já está no orçamento e seria redirecionado.
Esse é o ponto mais disputado. A CartaCapital informa que o presidente da Câmara, Hugo Motta, apoia a tarifa zero, mas é contra usar as emendas para pagá-la.
O que muda para o passageiro agora
Nada, por enquanto. A passagem segue como está na sua cidade, e não há data de início.
Ainda faltam:
- aprovação em dois turnos na Câmara e no Senado, com ao menos 308 deputados e 49 senadores;
- critérios de distribuição do dinheiro entre estados e municípios;
- exigências para a cidade aderir;
- mecanismos de fiscalização dos contratos com as empresas.
Sua cidade já tem algo parecido?
Algumas já têm gratuidade em parte desses dias, segundo o Brasil 247, com regras que variam. São Paulo e São José do Rio Preto têm passe livre aos domingos. Brasília, Belo Horizonte, Belém, Maceió, Sorocaba, Cuiabá e Juiz de Fora, aos domingos e feriados. Florianópolis, no último domingo de cada mês. Confirme as condições na prefeitura ou no órgão de transporte local.
Cada cidade terá a sua conta
Em Florianópolis, o prefeito Topázio Neto estimou em R$ 52 milhões por ano o valor que seria pago pela União para o ônibus gratuito aos sábados, domingos e feriados. O número é dele, sem metodologia explicada pelo Jornal Razão, que cita coluna de Anderson Silva na NSC Total e identifica a proposta como PEC 18/2026.
Rafael Pereira, do Ipea, defende que o financiamento venha com regras de qualidade do serviço e transparência. Os resultados do estudo de Ipea e Ministério das Cidades têm publicação prevista para novembro.
Informação de 7/11/2026. Estimativas de cada fonte, sem valor oficial definitivo.
Perguntas frequentes
O ônibus já é de graça no fim de semana em todo o país?
Não. A PEC foi enviada ao Congresso em 21/10/2026 e precisa de dois turnos na Câmara e no Senado, com ao menos 308 votos de deputados e 49 de senadores.
De onde viria o dinheiro?
A proposta destina pelo menos 26,8 por cento das emendas parlamentares obrigatórias. Com R$ 44,8 bilhões previstos para 2027, isso dá cerca de R$ 12 bilhões.
Todas as cidades entrariam automaticamente?
Não. Segundo a CartaCapital, a implementação depende da adesão de governos estaduais e municipais. Os critérios de repasse ainda precisam ser definidos.
Metrô e trem entram?
O foco inicial são os ônibus, mas a proposta pode incluir metrôs, trens e VLTs, segundo a CartaCapital. Nessa hipótese, a NTU calcula R$ 20,8 bilhões por ano.
Quando começaria a valer?
Não há data. Depende da aprovação da PEC e de regulamentação posterior.
Fontes
- Brasil 247 - Governo estima em R$ 12 bilhões o custo do passe livre nos ônibus aos fins de semana
- CartaCapital - Lula envia PEC da Tarifa Zero e sanciona perdão de dívidas e aumento de teto do MEI
- Jornal Razão - Prefeito de Florianópolis calcula que tarifa zero prometida por Lula vai custar aos cofres R$ 52 milhões
Continue lendo
MEI, o Pix de R$ 363 não existe: valor é só a divisão de R$ 5 bilhões por 13,78 milhões de CNPJs
Conta de rateio virou boato sobre o Pix MEI. O governo prevê até R$ 5 mil para cerca de 1 milhão de selecionados, sem inscrição aberta em novembro de 2026.
Quem ganha o mínimo: R$ 1.741 em 2027 ainda é previsão, e o Congresso vota o Orçamento até 17/12
O piso de 2027 está estimado em R$ 1.741, alta de 7,4 por cento sobre R$ 1.621. O valor final depende do INPC até novembro e do Orçamento, previsto para 17/12.
Quem deve IPVA ou ICMS no Piauí: Refis 2026 prevê até 95 por cento de desconto em juros e multas
Governo do Piauí vai mandar à Assembleia o Refis 2026, com até 95 por cento de desconto em juros e multas de ICMS, IPVA, ITCMD e taxa do Detran. Ainda não vale.