Selic e Copom: o que é a taxa de 13,75 por cento e como ela chega à poupança e ao crédito
Neste artigo
O que é a SelicPara que serveQuem decide e quandoA Selic em 2026Como ler o comunicado do CopomComo a Selic chega à poupançaComo a Selic chega a outras aplicaçõesComo a Selic chega ao créditoPasso a passo para acompanhar a decisãoErros comunsOnde conferirPerguntas frequentesFontesAtualizado em 4 de novembro de 2026, depois da 282ª reunião do Copom.
A Selic volta ao noticiário a cada reunião do Copom. Este guia explica, em ordem: o que é a taxa, quem decide, como ler a decisão, a regra exata da poupança e o que olhar no seu contrato de crédito ou aplicação.
Este texto é informação. Não é recomendação de investimento nem de crédito.
O que é a Selic
A Selic é a taxa básica de juros da economia. Segundo o Banco Central, ela influencia as outras taxas do país, como as de empréstimos, financiamentos e aplicações financeiras.
Há dois números com o mesmo nome:
- Meta da Selic: é a que o Copom anuncia, como os 13,75 por cento ao ano em vigor.
- Selic efetiva: é a taxa média praticada nas operações de um dia útil com títulos públicos federais. O BC atua no mercado de títulos para que ela fique alinhada à meta.
Quando a imprensa fala em "a Selic", em geral está falando da meta.
Para que serve
O Banco Central descreve a Selic como o principal instrumento de política monetária que usa para controlar a inflação. Como ela influencia as demais taxas de juros, uma mudança na Selic chega, aos poucos, ao custo do crédito e à remuneração das aplicações.
O alvo é a inflação medida pelo IPCA, que deve ficar em linha com a meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
Quem decide e quando
Quem fixa a meta é o Comitê de Política Monetária (Copom). Ele é formado pelo presidente do Banco Central e pelos diretores. Todos os membros presentes votam, e os votos são divulgados.
O funcionamento, segundo o BC:
- as reuniões acontecem a cada 45 dias e duram dois dias seguidos;
- o comunicado com a decisão sai na internet no mesmo dia, no fim do segundo dia;
- a ata, com a explicação detalhada, é publicada em até quatro dias úteis, em geral na terça-feira seguinte, às 8h;
- o calendário do ano seguinte é divulgado até junho.
Pelo calendário oficial do Banco Central, a última reunião de 2026 está marcada para 8 e 9 de dezembro. As de 2027 estão marcadas para janeiro, março, abril, junho, agosto, setembro, outubro e dezembro.
A Selic em 2026
A lista de comunicados do Banco Central mostra o caminho da taxa neste ano:
| Reunião | Data da decisão | Decisão | Selic |
|---|---|---|---|
| 276ª | 28/01/2026 | Manteve | 15,00 por cento |
| 277ª | 18/03/2026 | Reduziu | 14,75 por cento |
| 278ª | 29/04/2026 | Reduziu | 14,50 por cento |
| 279ª | 17/06/2026 | Reduziu | 14,25 por cento |
| 280ª | 05/08/2026 | Reduziu | 14,00 por cento |
| 281ª | 16/09/2026 | Reduziu | 13,75 por cento |
| 282ª | 04/11/2026 | Manteve | 13,75 por cento |
Foram cinco cortes seguidos de 0,25 ponto, até a pausa de novembro. A notícia sobre a decisão de 4 de novembro está aqui.
Como ler o comunicado do Copom
Tomando como exemplo o comunicado de 4 de novembro de 2026, vale olhar quatro partes.
1. A decisão e o placar. A decisão está no título e é detalhada perto do fim, antes da lista de quem votou. Em novembro, os sete membros votaram pela manutenção.
2. O diagnóstico. O comitê descreve o cenário externo, a atividade econômica e a inflação. No comunicado de 4 de novembro, por exemplo, o BC citou o prolongamento dos conflitos no Oriente Médio, a pressão sobre o petróleo e uma inflação acima do limite superior do intervalo de tolerância.
3. As projeções. O Copom publica a inflação que espera. Em novembro: IPCA de 5,6 por cento em 2026, 4,7 por cento em 2027 e 3,5 por cento no segundo trimestre de 2028. O comitê chama esse último período de horizonte relevante da política monetária.
4. Os próximos passos. É o parágrafo final. Às vezes o comitê sinaliza o que pretende fazer; às vezes, como em novembro, diz apenas que seguirá acompanhando o cenário.
Um cuidado: o comunicado também cita as expectativas da pesquisa Focus (em novembro, 5,2 por cento para 2026 e 4,8 por cento para 2027). São expectativas, não decisões do Banco Central.
Como a Selic chega à poupança
Aqui a regra é de lei. O art. 12 da Lei 8.177, de 1991, com a redação dada pela Lei 12.703, de 2012, define a remuneração dos depósitos feitos a partir de 4 de maio de 2012:
| Meta da Selic | Rendimento da poupança |
|---|---|
| Acima de 8,5 por cento ao ano | 0,5 por cento ao mês mais a TR |
| Igual ou abaixo de 8,5 por cento ao ano | 70 por cento da meta da Selic, mensalizada, mais a TR |
Com a Selic em 13,75 por cento, vale a primeira linha. Por isso, a decisão de novembro não mexeu na poupança. Acima de 8,5 por cento, cortes ou altas não mudam o rendimento; em 8,5 por cento ou menos, toda mudança da meta altera o cálculo, porque a poupança passa a render 70 por cento dela.
Para os depósitos feitos antes de 4 de maio de 2012, a Lei 12.703 manteve a remuneração de 0,5 por cento ao mês mais a TR, qualquer que seja a Selic.
Como a Selic chega a outras aplicações
A Selic influencia a remuneração de aplicações, mas o efeito depende de como cada uma foi contratada:
- Aplicação prefixada: a taxa foi combinada no início e não muda até o vencimento.
- Aplicação pós-fixada: acompanha um indicador definido no contrato ou no título. Se esse indicador se move com a Selic, o rendimento acompanha as decisões do Copom.
Para saber em qual caso a sua aplicação se encaixa, veja o informe da instituição ou o extrato, que trazem o indexador e a taxa contratada.
Como a Selic chega ao crédito
A lógica é parecida. A Selic é referência, mas cada contrato tem regra própria:
- Taxa fixa: a prestação não muda, suba ou caia a Selic.
- Taxa atrelada a um indexador: a parcela muda conforme o indexador, na forma prevista no contrato.
- Crédito rotativo e cheque especial: os juros são definidos pela instituição, dentro dos limites legais de cada produto.
Os limites do rotativo e do cheque especial estão explicados nos guias do Bolso Atento sobre juros do rotativo do cartão e sobre cheque especial.
Passo a passo para acompanhar a decisão
1. Anote a data da próxima reunião no calendário oficial do Banco Central. 2. Leia o comunicado no site do BC (bcb.gov.br). Pelo calendário oficial, ele sai a partir das 18h30 do segundo dia da reunião. 3. Confira o placar e o último parágrafo, que indicam se há divisão no comitê e se há sinal para as próximas reuniões. 4. Veja se a meta cruzou 8,5 por cento, que é o ponto em que a regra da poupança muda. 5. Olhe o seu contrato: taxa fixa, indexador ou taxa definida pelo banco. É isso que diz se a decisão chega até você. 6. Leia a ata na semana seguinte, se quiser os motivos em detalhe.
Erros comuns
- Achar que a prestação cai no dia seguinte. Contrato com taxa fixa não muda. E mesmo nos atrelados a indexador, o reajuste segue a data prevista no contrato.
- Confundir a projeção com a decisão. O Focus e as projeções de bancos são expectativas. Só o comunicado do Copom diz qual é a taxa.
- Achar que a poupança acompanha cada corte. Acima de 8,5 por cento, os juros da poupança ficam em 0,5 por cento ao mês, mais a TR, qualquer que seja a Selic.
- Usar uma taxa antiga. O Copom se reúne a cada 45 dias, e a taxa pode mudar em qualquer reunião. Sempre confira a data da informação.
Onde conferir
- Decisões, comunicados e atas: site do Banco Central, seção do Copom.
- Regra da poupança: Lei 8.177, art. 12, com a redação da Lei 12.703.
- Seu contrato ou aplicação: o próprio contrato, o extrato ou a instituição financeira, onde aparecem o indexador e a taxa contratada.
Perguntas frequentes
O que é a taxa Selic?
É a taxa básica de juros da economia. Tecnicamente, é a taxa média das operações compromissadas de um dia com títulos públicos federais, que o BC mantém alinhada à meta definida pelo Copom.
Quem define a Selic?
O Copom, comitê formado pelo presidente e pelos diretores do Banco Central. Todos os membros presentes votam, e os votos são divulgados.
De quanto em quanto tempo a Selic muda?
O Copom se reúne a cada 45 dias, em encontros de dois dias. A taxa pode subir, cair ou ficar igual em cada reunião.
Qual é a Selic hoje?
13,75 por cento ao ano, mantida na reunião de 4 de novembro de 2026.
Como a Selic afeta a poupança?
Com a meta acima de 8,5 por cento ao ano, a poupança rende 0,5 por cento ao mês mais a TR. Com a meta em 8,5 por cento ou menos, passa a render 70 por cento da Selic mais a TR.
Se a Selic cair, minha prestação cai?
Só se o contrato for atrelado a um indexador que acompanhe a taxa. Em contrato com taxa fixa, a prestação não muda.
Fontes
- Banco Central do Brasil - Taxa Selic
- Banco Central do Brasil - Copom
- Banco Central do Brasil - Comunicado da 282ª reunião do Copom
- Banco Central do Brasil - Lista de comunicados do Copom (reuniões 275 a 282)
- Senado Federal - Lei 12.703, de 7 de agosto de 2012 (remuneração da poupança)
- Banco Central do Brasil - Comunicado 43.383 (calendário do Copom em 2026)
- Banco Central do Brasil - Comunicado 45.452 (calendário do Copom em 2027)
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